HEGEL RÖST – UMA VOZ EM MEIO A MULTIDÃO

Lembro bem quando o sr. Anders Ertzield – da Hegel – esteve na minha cidade, ministrando um curso para profissionais do ramo de áudio e clientes a convite do distribuidor da marca no país, a Mediagear.

Há poucas horas da apresentação, lá estávamos nós ajustando o integrado norueguês no sistema de áudio da loja que sediou o curso (BRIDGE ÁUDIO), uma pequenina porém aconchegante salinha que contava na ocasião com as gigantes Klipschorn, um CD-Player da Vincent CD-S8, um conversor D/A da Audio Research DAC8, pré-de-phono Musical Surroundings Nova II e um toca-discos VPI Scoumaster II.

Para mim esse momento em particular representou algo gratificante como profissional do ramo. Uma experiência pessoal positiva, diria. Em primeiro pela constatação de uma aposta feita alguns anos atrás, praticamente quando a Hegel apareceu no mercado internacional e figurava apenas entre as dicas de poucos reviewers de blogs do segmento, e em segundo pelo crescimento e reconhecimento da marca graças aos bons resultados exibidos.

Foi nesse momento anterior que tive um integrado da Hegel para testes (o H80), trazido da Europa por um amigo de fórum. Ou seja, antes desse evento, antes do distribuidor sequer cogitar trazê-lo pro Brasil (uma de minhas dicas, aliás, posso seguramente afirmar isso)… antes de qualquer coisa, pra fechar a conta. Tinha na época as dinamarquesas Eltax S3.4 (recém adquiridas), um par de caixas torre Cabasse Jersey MT222, um par de caixas bookshelf  Cabasse Pampero MT222 e um par de caixas bookshelf Cambridge Audio S30. Os CD-Players eram o Exposure 2010, um Consonance CD120 e um Blu-Ray Philips BDP3100x. Cabos… uma pancada que mal lembro assim de cabeça, mas incluía Black Rhodium, QED, vdH, Sunrise Lab, SmallForce (de um fabricante local) e Straight Wire.

Dada esse mini introdução da minha experiência prévia com um integrado da Hegel, vamos a um dos atuais estandartes do fabricante, o RÖST (caixa alta pra valer o ‘grito’, hahaha).

Eis um pouco sobre ele direto do site da HEGEL:

”Röst is the name of one of Norway’s most beautiful islands. Way up north in Lofoten. About as far out from the mainland as you can get. The name fits like a glove. Röst can also mean “voice”, and the Röst is truly the “voice of Hegel”. With the patented SoundEngine2 amplifier technology, highly advanced preamplifier and delicately designed D/A-converter, the Röst sounds fluidly natural and dynamic. It preserves all the tiny details that create the feeling of being there, and delivers deep, thundering bass when needed. The Röst easily connects to any device you want – a CD-player, a streamer, a computer or perhaps Google Cast Audio? You can connect your iPhone, Macbook or even an AppleTV using AirPlay. Or maybe integrate a Sonos Connect? The choice is yours. Hegel Röst is designed to make everyday devices sound as good as possible, and to make audiophile devices sound even better. We achieve this using proprietary technology developed in-house by Hegel.

The Röst is available in a smooth, white, painted, aluminium and steel chassis. Even the knobs are made of solid aluminium, and have the same comfortable touch. Together with the white, slightly dimmed OLED display, this is a unit you would easily have visible in the home. Ready to be used with your speakers or headphones. The Röst comes with a remote control, made from a solid block of aluminum, but is also IP-controllable and may be integrated in most smart-home solutions. If you have experience in writing code, you can get access to the IP-control table and write your own control systems. Note that we do not offer support on that.”

Technical Details

Power output: 2 x 75 W into 8 Ohms
Minimum load: 2 Ohms
Analog inputs: 1 x balanced (XLR), 2 x unbalanced (RCA)
Digital inputs: 1 x coaxial S/PDIF, 3 x optical S/PDIF, 1 x USB, 1 x Network
Line level output: 1 x unbalanced variable (RCA)
Frequency response: 5 Hz – 100 kHz
Signal-to-noise ratio: More than 100 dB
Crosstalk: Less than -100 dB
Distortion: Less than 0.01% @ 50 W 8 Ohms 1kHz
Intermodulation: Less than 0.01% (19 kHz + 20 kHz)
Damping factor: More than 2000 (main power output stage) ”WHAT A HECK, GUYS…”
Finish Black and White
Dimensions: 8cm (10cm w/feet) x 43cm x 31cm (HxWxD)
Weight: 12kg shipment weightDimensions US: 3.15″ (3.93″ w/feet) x 16.93″ x 12.20″ (HxWxD)

O GOOOOOOL da Hegel com seus amplificadores mora, sobretudo, no coração da sua topologia diferenciada, com notável destaque para a generosa “reserva de punch” (ou tecnicamente falando, damping factor, fator de amortecimento), que vale para empurrar praticamente qualquer caixa que exista no mercado com os pés nas costas (e fazer isso tomando um delicioso cappuccino com chantili). Na prática, isso garante o controle do amplificador sobre as caixas (adequado excursionamento dos falantes, livre movimentação), assegurando uma ótima dinâmica, extensão, velocidade, ataque… e concomitantemente beneficiando outras características (como melhores texturas, timbres e palco sonoro, por exemplo). Uma boa jogada, sem dúvida alguma, que se estende a praticamente toda a linha de amplificadores integrados e powers do fabricante.

Eis que há poucos meses chegou um Hegel Röst pro showroom da loja, e veio então a oportunidade de explorar sua sonoridade e algumas possibilidades de combinação num sistema. As associações foram feitas com ele incluíram as caixas Klipschorn (Heritage Series, acima mencionadas), as recém-chegadas Elipson Prestige Facet 24F e as Dynaudio Contour 60 (breve passagem). Os cabos testados foram: de caixas os Vektor Cables Aleister Magic, Caravan Jazz, e QED Silver Anniversay XT. Interconnects Tara Labs Zero, Vektor Cables Magenta Wood, Audioquest Columbia, Monster Cables M-Series, Nordost Heimdall e Kimber Kable PBJ e os cabos de energia Vektor Cables Nighthawk, JIB Neptune, Pangea AC-9, Tchernov Special e Kimber Kable P-10 Gold. As fontes digitais utilizadas foram um CD-Player Vincent CD-S8, um Streamer Player Cambridge Audio CXN, um HDD Player Sony HAP-Z1ES e um conversor D/A Audio Research DAC8. As fontes analógicas foram os toca-discos VPI Scoumaster II e Elipson Omega com o pré-de-phono Musical Surroundings Nova II. Procedimento de ”burn in” (queima) de aproximadamente 60 horas (24/7, ligado direto) e posteriores 80 horas em intervalos intercalados. Álbuns de variados gêneros foram utilizados, predominantemente de jazz e música clássica (também alguns de rock e música eletrônica) em CD, SACD, HDCD, arquivos digitais DSD, DXD, FLAC, MP3 e AAC streaming.

Sem mais delongas – pois se trata este texto de uma narrativa de impressões pessoais e não propriamente de um review técnico – eis como toca(m) o(s) Hegel: bastante musical, apresentando um corpo de instrumentos cheio (‘full body presentation’), bem delineado e de tamanho corretíssimo (graves e médio-graves na medida de muitos bons amplificadores bem acima em categoria, observo), timbres perfeitamente retratados, ricas nuances e texturas dos instrumentos e vozes. Destacou-se nas audições a excepcional ambiência: a percepção clara e nítida, na medida da boa captação e preservação, dos sons secundários de fundo de certos álbuns, como o Sunday At The Village Vanguard, 1961, de Bill Evans, o Beyond The Missouri Sky, de Pat Metheny & Charlie Haden e o SuperBass 2, de Ray Brown, John Clayton & Christian McBride. Assim como um palco sonoro generosamente amplo, materializado com ótima profundidade em uma pequena salinha, com impecável apresentação / formação dos planos e de notável largura, como apresentado por alguns poucos amplificadores da categoria.

Numa abordagem leiga, mais direta: graves fortes, com ótimo peso, presentes e em equilíbrio com a resposta geral da gama de frequências (sobretudo na faixa de transição para os médio-graves; um encaixe que assegura magnífico balanço tonal e coerência). DÁ-LHE PORRADA! A faixa dos médios soou absolutamente natural, fluida, sem pronunciamentos ou ‘calombos’ (e isso com todas as caixas postas no sistema, dou ênfase), sem sinais de coloração, de tendência a pender pro lado mais alto ou baixo da curva dinâmica – algo facilmente verificado em integrados na sua faixa de preço e categoria. Na parte alta a extensão, o detalhamento e a folga na reprodução dos agudos (livres de granulações) proporcionaram níveis excepcionais de definição, recorte e arejamento, outro feito hercúleo para um amp da sua estirpe.

Um som limpo, encorpado, sem traços de artificialidade ou estridência, com as notas apresentando ataque, sustentação e decaimento perfeitos, em um raro mix de realismo com conforto.

Reproduzindo arquivos digitais de música eletrônica (Alpha 9, Skrillex, Tiesto, Alok, Front 242, Kraftwerk, entre outros), a pressão sonora, a velocidade e a variação dos graves / dinâmica chegaram a impressionar até mesmo alguns amigos que não dispensam subwoofer e são viciados nos bate-estacas ‘tum, tistum’. Musical, rítmico e marcante. Sem maiores considerações aqui. Foi mais que convincente, em resumo.

Já no lado mais musical e harmônico da Força, a maioria das gravações de jazz e música clássica que coloquei no sistema soaram divinamente bem, repletas de detalhes, de musicalidade e ar (ótima organicidade, sem qualquer dúvida). De Aaron Copland, compositor norte-americano e pianista, um dos meu favoritos: Short Symphony (Symphony no.2), The Red Pony, de 1948, Rodeo e Appalachian Spring, de 1944, sob as regências de Zubin Mehta e Leonard Bernstein. Uma verdadeira viagem musical, meus amigos… experiência extasiante. Na praia do jazz, a cada disco colocado (de Lester Young à Enrico Pieranunzi, passando por Bill Evans, Miles Davis, John Coltrane e outros monstros sagrados) uma belíssima apresentação ao vivo enchia o ambiente com os maravilhosos improvisos do gênero, com a beleza única de cada melodia e a riqueza harmônica das composições, criando (ao fechar os olhos) paisagens semi-oníricas aonde descansava a cabeça e me regozijava por horas, esquecendo um pouco de toda sorte de merdas que vemos e escutamos massivamente na televisão, nas mídias sociais, etc.

So, that’s all for now, folks. A dica: tens um dinheirinho extra e almeja ter uma experiência ‘esotérico-passional’ em sua residência, no conforto da sua sala de música? Quer um pub no seu lar com shows ao vivo toda semana? Pois não perca tempo. Esse integrado é o seu investimento certo. Pouco enjoado com pares, toca super decentemente se posto na base do pinheiro e cresce “muitississíssimo” bem (como diria o Chaves) ao subir pra liga intermediária do High-End. Pode apostar.

Texto escrito por Francisco Mendonça, Old Audiophile no.2.

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